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    Jerusalém - capital do mundo?
 

Os acordos de Oslo, como parte do processo de paz retomado em 1993, propunham-se a criar um Oriente Médio caracterizado por paz, felicidade e bem-estar. Essas eram as expectativas de Shimon Peres, um dos arquitetos dos acordos entre Israel e a OLP formulados há aproximadamente dez anos. Porém, todas as esperanças de solução do conflito se desfizeram à proporção que os terroristas-suicidas explodiam juntamente com os corpos de centenas de pessoas inocentes.



Peres continua a sonhar. Para desfazer o nó górdio que Jerusalém representa nas negociações, o ex-primeiro-ministro israelense apresentou uma nova proposta para solucionar o problema: Jerusalém passaria a ser a "capital do mundo".




Mas Peres continua a sonhar. Para desfazer o nó górdio que Jerusalém representa nas negociações, o ex-primeiro-ministro israelense apresentou uma nova proposta para solucionar o problema: Jerusalém passaria a ser a "capital do mundo". O secretário-geral da ONU assumiria o posto de "prefeito do mundo", enquanto representantes israelenses e palestinos seriam vice-prefeitos.

Peres, com 80 anos de idade, é o atual líder do Partido Trabalhista de Israel. Com sua nova proposta, ele busca solucionar a disputa pela soberania sobre os lugares santos localizados em Jerusalém. O plano de Peres tem por base a consideração de não deixar nas mãos de apenas um dos lados a soberania sobre a área de Jerusalém, que ele chama de "bacia sagrada", onde se encontram os locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos. Assim, cada uma das religiões estaria em condições de administrar seus próprios lugares santos, sob uma autoridade comum que regeria a cidade, sendo esta reconhecida como "capital do mundo". Além disso, para facilitar a administração, os bairros judeus e árabes de Jerusalém seriam repartidos entre lideranças israelenses e palestinas.

Shimon Peres apenas acrescenta mais uma idéia, às muitas já existentes, para a solução política do problema representado pelo status de Jerusalém. Os próximos meses mostrarão se seu plano será discutido seriamente ou não. Mas, na realidade, é a política de Peres e de outros que pensam como ele que torna possível a escalada do terrorismo e da violência que a região têm experimentado nos últimos anos. Foram os acordos de Oslo que entregaram terras, poder e armamentos à Autoridade Palestina. Através da instalação da Autoridade Palestina nos territórios autônomos palestinos não se estabeleceu uma auto-gestão da população árabe na Judéia, Samaria e Gaza, como se pretendia. O que se criou foram as condições ideais para a afluência de armas, explosivos e elementos radicais para a região, sem os quais não teria ocorrido o alastramento do terror como se viu nos últimos três anos.

A concretização do novo plano de Peres seria a base para uma escalada ainda maior da violência, colocando nas sombras tudo o que se viu até agora em termos de mortandade e terrorismo no Oriente Médio. O "problema" em Jerusalém não é a convivência entre judeus e árabes mas a soberania de Israel sobre a cidade, soberania esta que jamais será reconhecida pelos árabes-muçulmanos.

Peres conhece essa realidade, o que o leva a querer dividir a cidade "de fato" mais uma vez. Essa divisão abalaria os pilares básicos do Estado de Israel, pois Jerusalém é o coração e a alma do povo judeu. Trata-se do lugar que Deus escolheu para si nesta terra (veja Dt 12.5,11; 1 Cr 23.25; 2 Cr 6.6), onde o plano da salvação se cumpriu através dos sofrimentos e da morte do Messias, Jesus, e onde esse plano chegará à culminância com a volta do Salvador. Os judeus estarão novamente em Jerusalém quando o Senhor voltar (Mt 23.37-39) e o próprio Jesus fala do significado dessa cidade em relação aos "tempos finais" em Lucas 21.24: "Cairão ao fio de espada e serão levados cativos para todas as nações; e, até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles."

No dia 7 de junho de 1967, pela primeira vez em dois mil anos de história, Jerusalém voltou a estar sob soberania judaica. Isso representou o fim dos tempos dos povos gentios? Esse foi o começo do fim, pois desde então Jerusalém revelou ser o cálice de tontear na política mundial, a pedra pesada nos acontecimentos no Oriente Médio (veja Zc 12.2-3).



O retorno de Jesus será sobre o monte das Oliveiras, que fica diante do monte do templo (Zc 14.4), um lugar que aos olhos do mundo é considerado "ocupado por Israel".




O cumprimento definitivo dessas palavras de Jesus se dará por ocasião de Sua volta a essa cidade. Então o povo judeu também irá reconhecê-lO e aceitá-lO. Seu retorno será sobre o monte das Oliveiras, que fica diante do monte do templo (Zc 14.4), um lugar que aos olhos do mundo é considerado "ocupado por Israel". Mas devido ao seu grande significado espiritual e escatológico, a cidade de Jerusalém está no centro de um conflito de dimensões muito além das meramente regionais, pois suas conseqüências se fazem sentir mundialmente.

Quando essas profecias para os tempos finais se cumprirem, o plano de Peres se tornará realidade – não política, mas espiritualmente. Jerusalém será a "capital do mundo" como os profetas Isaías (2.2-3) e Miquéias (4.1-2) anunciaram: "...porque de Sião procederá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém". (ethos - http://www.beth-shalom.com.br)


Publicado anteriormente na revista Notícias de Israel, Fevereiro de 2004.