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Disse Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. (Mt 8:20).
Cristo era seguro e determinado, ao mesmo tempo flexível, extremamente atencioso e educado...
Informava pouco, porém educava muito. Dizendo muito com poucas palavras. Era ousado em expressar seu pensamento. Pg 36
Cristo era humilde, tolerante, dócil e inteligente, não tinha prazer no status social. Para Jesus são todos iguais: reis, políticos, intelectuais, iletrados, moralistas e imorais. Todos são apenas o que sempre foram, ou seja, seres humanos. Ninguém está um milímetro acima ou abaixo de ninguém. Todos possuem uma relação fraternal de igualdade. Suas biografias evidenciam de forma clara que ele criticava contundentemente qualquer tipo de discriminação e preconceito. Pra Jesus todos possuem a mesma dignidade, não há hierarquia.
É raríssimo haver um lugar onde as pessoas não sejam classificadas, seja pela condição financeira, intelectual, estética, fama ou qualquer outro tipo de parâmetro. O homem facilmente vive a ditadura do preconceito. Uma das mais drásticas e destrutivas doenças da humanidade é a ditadura do preconceito, discriminação...
Para Jesus, ninguém é indigno e desclassificado por qualquer condição ou situação. Uma prostituta tem o mesmo valor que alguém moralista. Uma pessoa iletrada e sem qualquer tipo de cultura formal tem o mesmo valor que um intelectual, um versado escriba. Uma pessoa excluída tem o mesmo valor que um rei.
Jesus Cristo era tão contra a discriminação que fazia com que os moralistas da sua época tivessem calafrios diante das suas palavras. Teve a coragem de dizer aos fariseus que os corruptos coletores de impostos e as meretrizes os precederiam em seu reino. Como é possível os corruptos e as prostitutas precederem os fariseus tão famosos e moralistas? Pela capacidade de reconhecer que é um pecador e que precisa de uma salvador.
Os coletores de impostos eram odiados e as prostitutas eram apedrejadas na época. Todavia, o ensinamento de Cristo é que os são não precisa de médico. Ele veio salvar os pecadores e perdidos.
Nele todos se tornam indistintamente seres humanos. Nunca alguém considerou tão dignas pessoas tão indignas. Nunca alguém exaltou tanto pessoas tão desprezadas. Nunca alguém incluiu tanto pessoas tão excluídas.
Jesus Cristo não procurava ser o centro das atenções, não se auto-promovia, nem auto-elogiava. Era avesso a todo tipo de discriminação.
Cristo expunha e não impunha suas idéias. Não persuadia, e nem procurava convencer as pessoas a crer nas suas palavras. Não pressionava para que o seguissem, apenas convidava.
Afora seus momentos de interiorização e meditação, ele estava sempre procurando convívio social. Já analisei muitas pessoas sociáveis e posso garantir que Cristo foi uma das mais sociáveis que já estudei. Tinha prazer de conviver com as pessoas. Estava sempre mudando de ambiente a fim de estabelecer novos contatos. Freqüentemente tomava a iniciativa de dialogar com as pessoas. Deixava-as curiosas e prendia a atenção delas. Gostava de dialogar com todas as pessoas, até as menos recomendadas, as mais imorais. Fazia questão de procurá-las e estabelecer um relacionamento com elas. Por isso, escandalizava os religiosos da sua época, o que comprometia sua reputação diante do centro religioso de Jerusalém. Porém o prazer que sentia ao se relacionar com o ser humano era superior ás conseqüência da sua atitude, da má fama que adquiria, para a qual ele, aliás, não dava importância; o que importava era ser fiel á sua própria consciência.
Ele não rejeitava nenhum convite para jantar. Fazia suas refeições até na casa de leprosos. Havia uma pessoa chamada Simão que tinha lepra, conhecida hoje como hanseníase. O portador dessa doença naquela época era muito discriminado, pois muitos deles ficavam com os corpos mutilados e eram obrigados a viver fora da sociedade.
Simão era tão rejeitado em sua época que era identificado por um nome pejorativo, “Simão o leproso”. Porém, como Cristo abolia qualquer tipo de preconceito, fez amizade com Simão. Nos últimos dias de sua vida, ele estava em sua casa, junto á mesa, provavelmente fazendo uma refeição. Se Cristo tivesse vivido nos dias de hoje, não tenham dúvida de que seria amigo dos portadores do vírus da AIDS. Sua delicadeza para incluir e cuidar das pessoas excluídas socialmente representava um belo retrato de sua elevada humanidade.
Embora os fariseus tivessem preconceito contra Cristo, o mesmo não ocorria por parte de Cristo. Ele, se convidado, jantava na casa dos fariseus, mesmo que fossem seus críticos.
Cristo tinha uma característica que se destaca claramente em todas as suas biografias, mas que muitos não conseguem enxergar. Era tão sociável que participava continuamente de festas. Participou da festa em Cana da Galiléia, da festa da Páscoa, do tabernaculo e muitas outras.
Cristo se misturava tanto com as pessoas e apreciava tanto jantar e conviver com elas que recebeu uma fama inusitada de “glutão” e bebedor de vinho. Ele até mesmo comentou sobre essa fama que tinha recebido. Disse que seu precursor, João Batista, comera mel silvestre e gafanhotos e recebera a fama de ser estranho, um louco, alguém que vive fora do convívio social. Agora, tinha vindo o “filho do homem”, que sentia prazer em comer e conviver com as pessoas, e, devido a esse comportamento tão sociável e singelo, acabou recebendo a fama de glutão. Uma fama injusta, mas que era reflexo da sua exímia capacidade de se relacionar socialmente. Cristo era um excelente apreciador de comida. Gostava inclusive de prepará-las.
Embora injusta, fico particularmente contente com a sua fama de glutão. Não me alegraria se ele tivesse recebido a fama de ser uma pessoa socialmente estranha, fechada, enclausurada. Ele não seria tão acessível e atraente se as pessoas tivessem de fazer sinais de reverência, mudar seu tom de voz e modificar seus comportamentos para se achegar a ele.
Cristo era simples e sem formalidades, por isso envolvia qualquer tipo de pessoa em qualquer ambiente.
Quando manifestou seus pensamentos ao mundo, causou grande turbulência. Foi amado por muitos, mas na mesma proporção foi perseguido, rejeitado e odiado pelos homens que detinha o poder político e religioso de sua época. Foi incompreendido, rejeitado, esbofeteado, cuspido e ferido física e psicologicamente. Cristo tinha todos motivo para ser tenso, irritado, angustiado, revoltado. Em vez disso, expressava tranqüilidade, capacidade de amar, de tolerar, de superar seus focos de tensão e, como disse, até de fazer poesia da sua miséria.
Apesar de passar por tantas dificuldades ao longo de sua vida, era uma pessoa alegre. Talvez não manifestasse largos e fartos sorriso, mas era alegre no seu interior, provavelmente mais do que possamos imaginar. Logo antes do seu martírio, manifestou que os discípulos deveriam provar da alegria que ele possuía, da alegria completa. Muitos têm bons motivos para ser felizes, mas estão sempre insatisfeitos, descontentes com o que são e possuem. Todavia, Cristo, apesar de ter todos os motivos para ser uma pessoa triste, se mostrava feliz e sereno.
Algumas vezes, as pessoas viajavam durante vários dias, tendo de dormir ao relento para ouvi-lo. O estranho é que Cristo não prometia uma vida fácil e nem fartura material. Não prometia um reino político e nem um terra da qual manava leite e mel, como Moisés. Ele discursava sobre uma outra esfera, um reino dentro do homem, que implicava um processo de transformação íntima.
JOSÉ RIBEIRO
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